Como em qualquer área de debate, muito do que se divulga sobre temas em saúde não corresponde à verdade. É isso mesmo, fake news também ocorre em medicina. Vamos falar sobre afirmativas muito ouvidas quando o assunto é trombose.
Trombose não tem cura e deve ser tratada por toda a vida.
Mito. A doença tem tratamento altamente eficaz e na maioria das vezes com duração bem definida de 3 a 6 meses, porém o uso contínuo, por vezes, pode ser necessário. O grande desafio é saber avaliar as circunstâncias de instalação da doença e a investigação laboratorial, para ser preciso na indicação do tempo de tratamento.
Trombose é doença de idoso.
Mito. Apesar do problema ter uma frequência que aumenta exponencialmente com a idade, qualquer faixa etária pode ser atingida. Atualmente cada vez mais a trombose é diagnosticada entre adultos jovens e, pasmem, até em crianças.
A pílula anticoncepcional pode levar trombose.
Verdade. A pílula tem em sua composição estrógeno, que é um hormônio desencadeante de trombose. Entretanto atenção! A trombose por pílula é multifatorial e outras variáveis estão envolvidas como idade e hereditariedade.
Trombose é problema exclusivo das pernas.
Mito. Trombose é a presença de trombos na circulação, e, portanto, pode atingir qualquer parte do corpo. Em mais de 80% dos casos ocorre no membro inferior. Na minoria dos casos, a doença pode ser primária de outros órgãos como intestino, cérebro, rim, são as tromboses de sítio incomum.
Posso desenvolver trombose quando viajo de avião.
Verdade. É a chamada síndrome da classe econômica. A viagem aérea aumento risco da doença pela menor movimento das pernas com redução no retorno venoso e estase de sangue. A doença pode ser fatal se vier associada a embolia pulmonar. É mais frequente em voos prolongados de mais de 6h de duração.
Os fatores desencadeantes da trombose são amplamente conhecidos e assim a prevenção pode ser feita.
Verdade. Inúmeras publicações científicas sobre os fatores de risco da doença são disponíveis. São situações de risco: hospitalização cirurgia, obesidade, câncer, terapia hormonal. Em pacientes susceptíveis a prevenção é recomendada e feita através de anticoagulantes. Não esqueça que a indicação é sempre feita após minuciosa avaliação médica.